sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Feira Livre de Areia Branca: Espaço considerado como Patrimônio Imaterial em Belford Roxo

Por Dulce Gaspar


Começarei com uma breve conceituação sobre o que se entende Patrimônio Cultural Imaterial: “Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas.” Pudemos observar que a institucionalização da ideia de patrimônio imaterial no Brasil, permitiu que novas problemáticas e novas reflexões fossem introduzidas na discussão do tema, gerando assim visibilidade de grupos sociais bem diferenciados. 



Do mesmo modo, nas discussões sobre memória coletiva, passou-se a enfatizar o processo de produção das práticas sociais que revitalizam e revigoram manifestações da memória coletiva e não suas cristalizações ou simulacros vendáveis. Nesse novo enfoque, também substitui-se a ideia de autenticidade pela de singularidade.(Veloso, Mariza. Patrimônio imaterial, memória coletiva e espaço público. P 31)
 
Um dos pilares da concepção de patrimônio imaterial é o conceito de referência cultural, que por sua vez pode ser entendido como uma convivência pautada por valores comuns. A feira de Areia Branca exemplifica bem esses argumentos, pois a população local faz desse espaço público um local de troca e sociabilidade, e com isso constrói-se a memória coletiva.

A feira livre de Areia Branca  tá situado no município de Belford Roxo, Rio de Janeiro. Essa feira é bastante conhecida pela sua extensão, são quase 3km de comércio popular, onde são vendidos legumes, frutas, verduras, cereais, temperos, roupas, CDs, DVDs, uma infinidade de produtos expostos em velhas barracas de madeira, que por sinal, são fruto de reclamação de Rosângela, que vende suas roupas a 17 anos na feira. A infra-estrutura e a falta de organização do local são citadas pelos barraqueiros como pontos que poderiam melhorar. A feira de Areia Branca acontece as quartas e domingos, dia de maior movimentação.

Durante o percurso no local, busquei os barraqueiros mais antigos para colher o máximo de informação sobre o início da feira, a história de como tudo começou.
Ouvindo os relatos, pude perceber que houve um processo de transformação, a feira se estendeu, e o ofício de feirante foi passando de geração em geração, como diz Seu Carlos, que monta sua barraca há 55 anos, barraca que foi deixada como herança por seu avô. Hoje a família de seu Carlos também retira seu sustento com venda de verduras.
Areia Branca está inserida no conceito de patrimônio, pois uma memória foi construída em torno dela, e essa memória é a responsável pela existência da feira até os dias de hoje, reforçando a identidade local.





Referências Bibliográficas:

Veloso, Mariza. Patrimônio Imaterial, memória coletiva e espaço público.


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