domingo, 1 de setembro de 2013

PRÓXIMA PARADA: BAIXADA FLUMINENSE


Por Ruth Maciel

BAIXADA FLUMINENSE – Região metropolitana do Rio de Janeiro. Região de “periferia direta, posto pela proximidade espacial e por se estabelecer como uma continuidade da realidade urbana” (SEGADA SOARES, 1956) da cidade do Rio. Região que, num nova “Geografia da Indústria”, “se consolida como novo pólo de produção de riquezas, com a implementação de objetos técnico-produtivos e a constituição de um novo padrão de desenvolvimento urbano” (ROCHA e OLIVEIRA, 2012). Contudo, mesmo com tamanho potencial, por exemplo, industrial – O que sai na mídia sobre a Baixada Fluminense? Pois é. Como relata a Revista Pilaresda História, “a Baixada se consolidou, historicamente, como representação de uma área de exclusão, marcada por índices negativos de desenvolvimento sócio-econômico e por uma imagem atrelada à violência pela ação de milicianos” (p.11). E é só? Aliás, é só na Baixada que há violência no RJ?
A Baixada Fluminense, historicamente, sempre recebeu, resultado de questões político-sociais, “população de fora” seja pela “desapropriação dos morros cariocas”; ou pelo “êxodo rural nordestino” (visto sua estratégica localização entre o Rio e a Serra ou aeroporto/ rodoviárias ou pelo seu custo imobiliário mais baixo que o da capital); ou pela relação escravocrata nos primórdios da colônia com a mão-de-obra negra ou mesmo pela imigração estrangeira “espontânea”. Isso gerou, à região, uma multiplicidade de “modos de viver” embebecidos de tradições, histórias, religiosidades, concepções e vivências artísticas, enfim, fazeres e saberes CULTURAIS diversos até hoje arraigados na vivência de seus moradores.
A Baixada Fluminense, como já, brevemente, visto, e assim como relata Vinícius Marcelo da Silva, na Revista Pilares da História: “foi construída num ambiente de constantes mudanças, sejam elas geográficas, políticas, demográficas, sociais e econômicas, sendo assim, esta região é um palco fértil para os trabalhos de historiadores, sociólogos, economistas, antropólogos e quaisquer outros pesquisadores que estejam dispostos a desvendar os seus segredos” (p.62). Mas, mais do que pesquisar academicamente “seus segredos”, a Baixada está aí para ser explorada (no bom sentido), caminhada, trilhada, vivida...
E nesse conceito de trilhar caminhos é que o MOCHILÃO IMATERIAL inicia sua caminhada tendo como foco esses “saberes e fazeres”, ou seja, o PATRIMÔNIO IMATERIAL* da Baixada Fluminense, com o objetivo de escanear (literalmente: transformar para formato digital) aperitivamente (literalmente: estimular o apetite) algumas das inúmeras manifestações culturais dos treze municípios componentes da região.
MOCHILÃO é sinônimo popular de “recipiente utilizado para guardar material de estudo” e também de “viagem a baixo custo”, e é exatamente que esse mochilão também quer ser. E vale ressaltar que um mochilão cultural não tem tamanho estipulado: cabe guardar tudo que se quer.

"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original." (Albert Einstein)


(Pensamento – Cidade Negra. Banda “cria” do Centro Cultural Donana em Belford Roxo)  

*Patrimônio de acordo com as definições do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através do decreto-lei nº 25, de 30/11/1937, Art. 1º: constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico. . Porém, o MOCHILÃO IMATERIAL não se resumirá a tratar apenas dos registrados pelo IPHAN, porque entende que nem todas as manifestações culturais são contempladas por tal registro, e muitas dessas “não registradas” dialogam muito mais com a realidade e cotidiano da população local.

Referências:

BRASIL. Decreto-lei n°25 de 30 de novembro de 1937. Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm>. Acesso em: 01 de setembro de 2013.

MAPA DA CULTURA.  Centro Cultural Donana. Espaços Culturais - Belford Roxo. Disponível em: <http://mapadecultura.rj.gov.br/belford-roxo/centro-cultural-donana/>. Acesso em; 01 de setembro de 2013.

ROCHA e OLIVEIRA. As novas dinâmicas produtivas em curso na Baixada Fluminense: Breves apontamentos sobre uma nova Geografia da indústria. In Revista Pilares da História – Duque de Caxias e Baixada Fluminense. Ano 11. Edição Especial. Maio de 2012. P. 7 – 13.

SILVA. Uma história para a história da Baixada Fluminense: Reflexões acerca da Produção Historiográfica e das Instituições de preservação documental, da memória e patrimonial. In Revista Pilares da História – Duque de Caxias e Baixada Fluminense. Ano 11. Edição Especial. Maio de 2012. P. 61 – 70.

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