Por Ruth Maciel
BAIXADA
FLUMINENSE – Região metropolitana do Rio de Janeiro. Região de “periferia
direta, posto pela proximidade espacial e por se estabelecer como uma
continuidade da realidade urbana” (SEGADA SOARES, 1956) da cidade do Rio. Região
que, num nova “Geografia da Indústria”, “se consolida como novo pólo de
produção de riquezas, com a implementação de objetos técnico-produtivos e a
constituição de um novo padrão de desenvolvimento urbano” (ROCHA e OLIVEIRA,
2012). Contudo, mesmo com tamanho potencial, por exemplo, industrial – O que
sai na mídia sobre a Baixada Fluminense? Pois é. Como relata a Revista Pilaresda História, “a Baixada se consolidou, historicamente, como representação de
uma área de exclusão, marcada por índices negativos de desenvolvimento sócio-econômico
e por uma imagem atrelada à violência pela ação de milicianos” (p.11). E é só?
Aliás, é só na Baixada que há violência no RJ?
A Baixada
Fluminense, historicamente, sempre recebeu, resultado de questões
político-sociais, “população de fora” seja pela “desapropriação dos morros
cariocas”; ou pelo “êxodo rural nordestino” (visto sua estratégica localização
entre o Rio e a Serra ou aeroporto/ rodoviárias ou pelo seu custo imobiliário
mais baixo que o da capital); ou pela relação escravocrata nos primórdios da
colônia com a mão-de-obra negra ou mesmo pela imigração estrangeira “espontânea”.
Isso gerou, à região, uma multiplicidade de “modos de viver” embebecidos de
tradições, histórias, religiosidades, concepções e vivências artísticas, enfim,
fazeres e saberes CULTURAIS diversos até hoje arraigados na vivência de seus
moradores.
A Baixada
Fluminense, como já, brevemente, visto, e assim como relata Vinícius Marcelo da
Silva, na Revista Pilares da História: “foi construída num ambiente de
constantes mudanças, sejam elas geográficas, políticas, demográficas, sociais e
econômicas, sendo assim, esta região é um palco fértil para os trabalhos de
historiadores, sociólogos, economistas, antropólogos e quaisquer outros
pesquisadores que estejam dispostos a desvendar os seus segredos” (p.62). Mas,
mais do que pesquisar academicamente “seus segredos”, a Baixada está aí para
ser explorada (no bom sentido), caminhada, trilhada, vivida...
E nesse conceito
de trilhar caminhos é que o MOCHILÃO IMATERIAL inicia sua caminhada tendo como
foco esses “saberes e fazeres”, ou seja, o PATRIMÔNIO IMATERIAL* da Baixada
Fluminense, com o objetivo de escanear (literalmente: transformar para formato
digital) aperitivamente (literalmente: estimular o apetite) algumas das
inúmeras manifestações culturais dos treze municípios componentes da região.
MOCHILÃO é
sinônimo popular de “recipiente utilizado para guardar material de estudo” e
também de “viagem a baixo custo”, e é exatamente que esse mochilão também quer
ser. E vale ressaltar que um mochilão cultural não tem tamanho estipulado: cabe
guardar tudo que se quer.
"A mente
que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original." (Albert
Einstein)
(Pensamento –
Cidade Negra. Banda “cria” do Centro Cultural Donana em Belford Roxo)
*Patrimônio de
acordo com as definições do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, através do decreto-lei nº 25, de 30/11/1937, Art. 1º: constitui o
patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis
existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua
vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor
arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico. . Porém, o MOCHILÃO
IMATERIAL não se resumirá a tratar apenas dos registrados pelo IPHAN, porque
entende que nem todas as manifestações culturais são contempladas por tal
registro, e muitas dessas “não registradas” dialogam muito mais com a realidade
e cotidiano da população local.
Referências:
BRASIL. Decreto-lei n°25 de 30 de
novembro de 1937. Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico
nacional. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm>.
Acesso em: 01 de setembro de 2013.
MAPA DA CULTURA. Centro Cultural Donana. Espaços Culturais -
Belford Roxo. Disponível em: <http://mapadecultura.rj.gov.br/belford-roxo/centro-cultural-donana/>.
Acesso em; 01 de setembro de 2013.
ROCHA e OLIVEIRA. As novas dinâmicas
produtivas em curso na Baixada Fluminense: Breves apontamentos sobre uma nova
Geografia da indústria. In Revista Pilares da História – Duque de Caxias e
Baixada Fluminense. Ano 11. Edição Especial. Maio de 2012. P. 7 – 13.
SILVA. Uma história para a história da
Baixada Fluminense: Reflexões acerca da Produção Historiográfica e das
Instituições de preservação documental, da memória e patrimonial. In Revista Pilares
da História – Duque de Caxias e Baixada Fluminense. Ano 11. Edição Especial.
Maio de 2012. P. 61 – 70.
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