segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Japeri, semi-direto

Por Juliana Soares



“Droga, não tem nada em Japeri”, foi a primeira coisa que pensei enquanto pesquisava a temática no município. Apesar da chamada no site da Prefeitura Municipal: “Venha para Japeri! Saiba mais sobre os incentivos que temos para sua empresa!” e da história de vida do prefeito, um tanto afetiva, o registro das movimentações culturais são poucas. Procurei, esclarecendo que essa pesquisa não é in loco, contudo nem na página do Mapa de Cultura do Rio de Janeiro tem algo sobre patrimônio imaterial “catalogado”. Tem praças e uma estação de trem, que faz parte da primeira linha construída pela Estrada de Ferro Dom Pedro II, que em 1889 foi rebatizada para Estrada de Ferro Central do Brasil, todas já reconhecidas como patrimônios materiais do local, mas nenhuma informação sobre qualquer “imaterial”.



 Então, acho que nesse momento, o que poderia chamar de patrimônio imaterial em Japeri seria sua população e a vontade de desenvolver culturalmente seu município. Existem espaços culturais que oferecem cineclubes, aulas de artesanato, ensino de música, danças, muitas iniciativas continuam, mesmo com pouca verba; biblioteca pública, companhias teatrais, o Pico da Coragem, onde se pode fazer voo livre, o bloco de carnaval Magnatas de Engenheiro Pedreira, que são destaques e que para tais, houve necessidade de alguém ou algo que anteriormente começou, transmitiu e estimulou. Contudo, nenhum desses se enquadra como o “tal” patrimônio imaterial. E onde o produtor cultural entra nessa história? No agora. É dele a oportunidade de fazer diferente. O ato de salvaguardar determinados saberes e fazeres, tradições culturais reconhecidas ou não pela população local, não deve ser o ponto de partida, mas sim proporcionar espaço e voz para essas expressões, que não se encontram a fácil acesso, façam parte das experiências culturais da cidade do Rio de Janeiro. Saindo um pouquinho do eixo, sabe?!. Vamo lá, a Baixada nem é tão longe assim! Mesmo que o transporte seja precário, a viagem longa e a resistência de alguns tipos de mentalidade, que parecem caracterizar a Baixada, ainda que isso tudo seja mais visível do que ações populares que movimentam esses locais, aposto que transformar ideias seja mais interessante do que se acomodar com o processo de “engessamento” da cultura. Precisamos repensar tais medidas de preservação, elas deveriam ser bem diferentes de um aprisionamento no tempo e no espaço





Japerionline
Wikipédia
http://rmmtrilhas.blogspot.com.br/2013/02/pico-da-coragem-japeri.html

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