“Droga, não tem nada em Japeri”, foi a primeira coisa que pensei
enquanto pesquisava a temática no município. Apesar da chamada no site da
Prefeitura Municipal: “Venha para Japeri! Saiba mais sobre os incentivos que
temos para sua empresa!” e da história de vida do prefeito, um tanto afetiva, o
registro das movimentações culturais são poucas. Procurei, esclarecendo que
essa pesquisa não é in loco, contudo nem na página do Mapa de Cultura do Rio de
Janeiro tem algo sobre patrimônio imaterial “catalogado”. Tem praças e uma
estação de trem, que faz parte da primeira linha
construída pela Estrada de Ferro Dom Pedro II, que em 1889 foi rebatizada para
Estrada de Ferro Central do Brasil, todas já reconhecidas como
patrimônios materiais do local, mas nenhuma informação sobre qualquer “imaterial”.
Então, acho que nesse momento, o que poderia chamar de patrimônio imaterial em Japeri seria
sua população e a vontade de desenvolver culturalmente seu município. Existem
espaços culturais que oferecem cineclubes, aulas de artesanato, ensino de
música, danças, muitas iniciativas continuam, mesmo com pouca verba; biblioteca
pública, companhias teatrais, o Pico da Coragem, onde se pode fazer voo livre,
o bloco de carnaval Magnatas de Engenheiro Pedreira, que são destaques e que
para tais, houve necessidade de alguém ou algo que anteriormente começou,
transmitiu e estimulou. Contudo, nenhum desses se enquadra como o “tal” patrimônio
imaterial. E onde o produtor cultural entra nessa história? No agora. É dele a
oportunidade de fazer diferente. O ato de salvaguardar determinados saberes e
fazeres, tradições culturais reconhecidas ou não pela população local, não deve
ser o ponto de partida, mas sim proporcionar espaço e voz para essas expressões,
que não se encontram a fácil acesso, façam parte das experiências culturais da
cidade do Rio de Janeiro. Saindo um pouquinho do eixo, sabe?!. Vamo lá, a
Baixada nem é tão longe assim! Mesmo que o transporte seja precário, a viagem
longa e a resistência de alguns tipos de mentalidade, que parecem caracterizar
a Baixada, ainda que isso tudo seja mais visível do que ações populares que
movimentam esses locais, aposto que transformar ideias seja mais interessante
do que se acomodar com o processo de “engessamento” da cultura. Precisamos
repensar tais medidas de preservação, elas deveriam ser bem diferentes de um aprisionamento
no tempo e no espaço
Japerionline
Wikipédia
http://rmmtrilhas.blogspot.com.br/2013/02/pico-da-coragem-japeri.html

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